• O que é análise do comportamento?


Análise do comportamento é uma ciência que estuda as interações dos indivíduos com seu ambiente. Para esta abordagem, os indivíduos são constituídos por suas características filogenéticas, por suas relações pessoais e pelas interações culturais que estabelecem durante toda a sua vida. São sujeitos únicos, com histórias de vida próprias de aprendizagem e desenvolvimento. O objetivo da AC é, justamente, entender estas relações humanas, entender por que nos comportamos de determinada maneira e como podemos melhorar nossas relações interpessoais e o contexto em que vivemos. Neste objetivo também estão incluídos os comportamentos que só podem ser observados pelo próprio indivíduo, como seus sentimentos, pensamentos, afetos e emoções.

Gostaríamos de convidar você, leitor/a, a conhecer melhor o que é análise do comportamento a partir da leitura e estudo do material disponível neste site e nos links sugeridos. Convidamos também a continuar dialogando, questionando e discordando da abordagem, se for o caso, contribuindo, assim, para a disseminação do conhecimento.



• A abordagem comportamental no Brasil

A análise do comportamento (AC) no Brasil teve início em 1961, com duas disciplinas ministradas pelo convidado Prof. Fred Keller, pioneiro em psicologia experimental nos Estados Unidos, na Universidade de São Paulo. Em pouco tempo, o ensino da ciência do comportamento contava com um laboratório de análise experimental improvisado, auxiliando na transmissão mais clara e prática de princípios comportamentais. Diversas parcerias foram estabelecidas com outras instituições para que o ensino da AC fosse ampliado no país, com o empenho imprescindível de profissionais que hoje são marcos da história da ciência do comportamento no país.

Muitas mudanças ocorreram no ensino e na prática da abordagem desde então. Seus princípios e método têm sido disseminados pelo Brasil afora em congressos, cursos, debates e publicações. A pesquisa básica com animais e a aplicada voltada ao ensino, marcantes nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil, convivem hoje com pesquisa aplicada a questões clínicas, sociais e culturais.

O estudo de comportamentos cotidianos tem auxiliado na melhoria da qualidade de vida das pessoas e comunidades, no planejamento de políticas públicas de educação e de saúde, na discussão e solução de problemas culturais e na defesa de direitos sociais. O trabalho clínico caracteriza-se pela realização de análises funcionais das contingências de vida daqueles que buscam autoconhecimento e alívio de seus sofrimentos. Também não se resume a casos graves psiquiátricos ou a crianças com desenvolvimento atípico, apesar de ser considerada a abordagem com melhores resultados de tratamento nestes casos.

O percurso histórico da análise do comportamento no Brasil tem sido traçado com muito esforço e dedicação, enfrentando o antigo desafio de desfazer inúmeros equívocos e mitos.

 



• A abordagem comportamental no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro tem uma relação histórica com a análise do comportamento no Brasil. A participação de psicólogos cariocas foi fundamental para a criação da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC), em novembro de 1991, principal entidade que congrega interessados no desenvolvimento científico e tecnológico da Terapia Comportamental, Terapia Cognitivo-Comportamental, Medicina Comportamental e Análise do Comportamento, promovendo e facilitando a cooperação entre estas áreas até hoje.

O I Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental foi realizado no Rio de Janeiro, em 1992, nos auditórios da UERJ. Desde sua fundação, só tem aumentado o fôlego e o ânimo da ABPMC para que a análise do comportamento seja ensinada e difundida em todo o país, de maneira ética e fiel aos seus princípios teóricos.

No Rio de Janeiro, a disseminação de práticas comportamentais tem sido realizada, principalmente, a partir de mostras e encontros cognitivo-comportamentais. Nenhum evento específico sobre a análise do comportamento foi encontrado no Rio de Janeiro, segundo o relatório de Pereira (2007) sobre a institucionalização da AC no país, estudo coordenado pela Profª Maria do Carmo Guedes.

Figura: Número de eventos em AC por estado no Brasil.
(Adaptada do relatório, com destaque para o estado do Rio de Janeiro)

Podemos encarar este dado como um indício de que talvez tenha chegado o momento de resgatarmos a relação histórica entre análise do comportamento e Rio de Janeiro, promovendo mais interlocuções regionais entre profissionais com algumas práticas em comum, além de disseminar a AC na cidade.


• O que é terapia comportamental?

 

É um processo terapêutico que considera o comportamento humano produto da relação entre o indivíduo e seu ambiente. Existem ainda muitos mitos, dúvidas e equívocos em torno do que é e como funciona a terapia comportamental. A confusão entre princípios e técnicas é comum, resquício da antiga prática de “modificação do comportamento”, que consistia na aplicação de técnicas específicas para transtornos e sintomas também específicos. Mas a terapia comportamental não se limita à aplicação de técnicas.

Sua principal função é ajudar o cliente a adquirir autoconhecimento; é entender, junto com ele, por que se comporta de certa maneira, em determinadas situações, e por que seu comportamento se mantém mesmo trazendo-lhe sofrimento. A análise funcional é o principal recurso adotado pelo terapeuta comportamental neste processo, coletando informações e analisando relações de dependência entre as diversas variáveis da vida de seu cliente. Quem procura a terapia aprende que seu comportamento não ocorre “por acaso” ou “sem razão”; aprende que sua ação sobre o mundo tem uma função, que seu comportamento modifica o ambiente com o qual estabelece relação e que, ao mesmo tempo, é constantemente mantido ou modificado por suas conseqüências.

Ao identificar estas variáveis, o cliente se torna ativo em seu processo terapêutico. A partir daí, é possível traçar os objetivos da intervenção comportamental, essencial para avaliar se a análise funcional foi bem sucedida e se a intervenção proposta foi eficaz.

Vale ressaltar que a terapia comportamental considera o “organismo como um todo”, em sua história de vida passada e presente, de maneira a conhecer diferentes contingências, diferentes contextos de seu cotidiano. Também não se esquece da própria relação terapêutica, que tem influência direta no sucesso de todo este processo de autoconhecimento e melhoria da qualidade de vida do cliente.

Com relação às técnicas comportamentais, é comum muitos psicólogos compartilharem da visão de que elas podem ser seguidas como “receitas de bolo”, sem contra-indicação. Mas esta visão é equivocada. As técnicas foram elaboradas a partir de procedimentos experimentais que buscaram estudar, sistematicamente, processos comportamentais que ocorrem em ambiente natural. Assim, quando uma técnica é aplicada na intervenção terapêutica, o psicólogo deve ter o domínio conceitual dos processos envolvidos no comportamento-alvo.

Felizmente, não há receita fácil de ser seguida diante de uma abordagem que oferece um atendimento individualizado, a partir da análise funcional das contingências de vida do cliente, da história que é só dele. Isso mostra que a abordagem comportamental considera cada cliente como singular.

 


• A importância da relação terapêutica para a análise do comportamento

 

A terapia tem a função de promover mudanças comportamentais que diminuam o sofrimento de quem a procura e que, ao mesmo tempo, aumentem seu bem estar e sua felicidade. O papel do terapeuta torna-se, assim, essencial para que estes objetivos sejam alcançados, indo além da aplicação de técnicas. O terapeuta tem a responsabilidade de construir com seu cliente um relacionamento que seja em si transformador, valorizando suas qualidades, em uma audiência não punitiva e acolhedora. O cliente se torna mais engajado e mais receptivo às análises sugeridas pelo psicólogo quando uma relação terapêutica é bem estabelecida. Ao se sentir à vontade com seu terapeuta, a probabilidade de o cliente agir no contexto terapêutico da mesma maneira que se comporta na sua vida cotidiana é maior, o que possibilita ao terapeuta conhecer melhor as variáveis ambientais, emoções e sentimentos que seu cliente vivencia. Assim, ele tem mais chances de interpretar, intervir e sugerir mudanças no momento em que o comportamento acontece, fornecendo conseqüências diferenciadas para interações que possam se manter em situação natural.

A terapia comportamental tem como objetivo final desenvolver o autoconhecimento de seus clientes, a partir de uma relação terapêutica ética, de confiança, honestidade, perseverança, com habilidade interpessoal, auxiliando-os para uma vida mais saudável e prazerosa.

 


• Existe subjetividade e autoconhecimento se nossos comportamentos são “determinados”?

 

Defender que os fenômenos são determinados, como faz a abordagem comportamental, não exclui a existência e importância da subjetividade e do autoconhecimento. Certamente, quem diz que psicólogos comportamentais ignoram a individualidade das pessoas não compartilha do mesmo conceito de determinação da ciência do comportamento. Para os analistas comportamentais, toda e qualquer percepção do mundo é realizada por um sujeito ativo, de acordo com suas interações passadas e atuais com a situação que se pretende conhecer. Para Skinner (1974), conhecimento é ação, é interação, é um processo no qual tanto o objeto estudado quanto quem o estuda ou o vivencia são modificados por esta inter-relação de dependência.

Segundo a abordagem comportamental, somos todos organismos da espécie humana, com sua história de evolução própria; mas cada organismo estabelece com o ambiente uma interação particular durante toda a sua vida, tornando-se pessoa ao adquirir um repertório individual de comportamentos.

É nessa interação particular com outras pessoas que adquirimos autoconhecimento, a partir de relações cotidianas, profissionais, educacionais, amorosas, de amizade, enfim, relações especiais que nos permitem conhecermos a nós mesmos. Aprendemos a entender por que temos reações diferentes para situações iguais ou parecidas, interesses particulares mesmo sendo educados pelos mesmos pais, na mesma escola, na mesma cultura ou época.

Mas para que precisamos conhecer os nossos comportamentos se estes são “determinados”? Por que conhecermos “o que estamos fazendo”, “o que tendemos fazer”, “o que fizemos” ou “o porquê o fizemos” se há “determinação”? Para a abordagem comportamental, desenvolver todos estes tipos de autoconhecimento nos possibilita descrever nossas contingências e escolhermos as condições com as quais interagimos. É justamente a “determinação”, entendida aqui como a condição básica do ser humano de interagir com a natureza, com outros homens, e sofrer os efeitos desta interação, sendo modificado por suas conseqüências, que nos possibilita sermos sujeitos de nossos destinos. Se a determinação fosse inacessível ao homem, interna, estrutural, imutável, não poderíamos agir sobre o mundo e, assim, criarmos condições melhores de vida, rearranjando contingências para solucionar problemas, vivermos mais felizes e construirmos uma sociedade melhor.

 


• A terapia comportamental lida com sentimentos e pensamentos?

 

Sim, embora ainda hoje persistam preconceitos e visões equivocadas de que a análise do comportamento não trabalhe com sentimentos, emoções e pensamentos. Esta visão parece estar fundamentada no manifesto de Watson (1913), quando declarou que apenas os comportamentos observáveis eram o objeto de estudo da psicologia, deixando assim o que chamamos de “mente” fora do escopo de análise do behaviorismo metodológico (vale ressaltar que Watson não negava a sua existência). Você, leitor(a), pode estar se perguntando agora: afinal, o analista do comportamento lida ou não com sentimentos e pensamentos?

Novamente, a resposta é sim. Foi a partir da ciência do comportamento e do behaviorismo radical, ambos propostos por B. F. Skinner (1904-1990), que os eventos privados (mais conhecidos como processos cognitivos, pensamentos, sentimentos, autocontrole, intenção, autoestima, entre outros) puderam ser analisados a partir da perspectiva comportamental. Para a terapia comportamental estes eventos também são comportamentos. O acesso a eles pode ser diferente, pelo relato verbal de quem está sentindo ou pensando, mas seguem os mesmos princípios dos comportamentos que podem ser observados por todos.

Assim, a análise do comportamento também trabalha com sentimentos, emoções e pensamentos no processo terapêutico. A diferença para outras abordagens é que estes eventos privados não são considerados como causa do comportamento manifesto. Eles são frutos de contingências de reforçamento e passíveis de mudança, diminuição, melhora ou fortalecimento, sendo alvo de análises funcionais para se identificar as variáveis das quais são função e como se relacionam com outros comportamentos de nossas interações.

 


• O que é ABA (Applied Behavior Analysis)? Por que é bem sucedida no atendimento de crianças e adultos com autismo?


Muitas pessoas pensam que ABA (em português: Análise do Comportamento Aplicada) é uma abordagem para o atendimento exclusivo de crianças e adultos com autismo. Mas além de intervir com êxito nestes casos, a ABA é um ramo da psicologia extremamente comprometido com a melhoria de questões emocionais e com o aprimoramento de habilidades que afetam a qualidade de vida das pessoas. Isso quer dizer que a ABA é comprometida com a mudança do comportamento e usa os princípios da aprendizagem para promovê-la.

É muito frequente o entendimento de que ABA é apenas o uso de recompensas para premiar o “bom” comportamento ou um jeito de ignorar o “mau”. Mas ABA não é apenas isso! Os comportamentos alvo de intervenção são altamente funcionais, relevantes para as pessoas. Por isso, avaliar as relações funcionais entre variáveis do contexto em que o comportamento ocorre é crucial para que uma intervenção seja bem sucedida. Outro aspecto essencial é o uso de medidas de comportamentos observáveis para mostrar se a intervenção funcionou ou não. A ABA evita avaliações subjetivas de melhora e consegue avaliar objetivamente se houve mudança no comportamento, para melhor ou pior.

No caso do autismo, a ABA desenvolve intervenções individualizadas, que combina estratégias de ensino estruturadas e/ou naturalísticas, dependendo dos comportamentos que a criança/adulto apresente na avaliação inicial. As estratégias de ensino e de manejo do comportamento utilizadas são: ensino por tentativa discreta, role playing, avaliação funcional do comportamento, controle de estímulos, suspensão discriminada das contingências de reforço, extinção, reforçamento diferencial de outro comportamento (DRO), modelagem e esvanecimento de estímulos.

Em contraste com procedimentos de ensino tradicionais, outra característica fundamental da ABA é “quebrar” habilidades complexas em pequenos elementos que podem ser ensinados um a um, oferecendo ajuda necessária e usando procedimentos de reforçamento para que o aprendizado seja prazeroso e mais rápido. Após a aquisição passo a passo da habilidade complexa em situação estruturada é possível planejar sua generalização para contextos naturais. Assim, a ABA oferece a crianças e adultos com autismo condições de ensino que potencializam a aquisição de novas habilidades para que possam comunicar-se, socializar-se e aproveitar o mundo a seu redor.

Uma última palavra: ABA não desumaniza, nem robotiza crianças! Ao contrário, é uma abordagem que ao longo dos anos vem demonstrando uma capacidade incontestável de minimizar o sofrimento de muitas famílias afetadas pelo autismo, ajudando crianças e adultos a desenvolverem o humano e a espontaneidade de que são capazes.



 

 

 

 

 

 
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